Desmontando o ArMário

Saúde, Humor e Amor


E minha mãe me disse: «Meu filho, o que eu

tenho para te dizer agora é “coma bom

humor”, a vida passa muito rápido e eu,

melhor do que ninguém, sei disto.»

Mário, o médico que aprende que não sabe nada,

in «Humor é Amor»


Quando comecei a apresentar o espetáculo «Mário, teu Humor está no Armário», tive a grande honra de poder apresentá-lo para os pacientes de um hospital em São Paulo ao longo de quatro anos. O espetáculo era apresentado numa sala bonita, tanto para pacientes, como para

médicos e enfermeiros. Para não atrapalhar o horário das visitas, durante três semanas eu apresentava o espetáculo duas vezes por dia.

Muitos pacientes vinham por vezes acompanhados pelos seus familiares e amigos que os visitavam. Uns vinham a andar pelo seu próprio pé, outros vinham em cadeiras de rodas, alguns até ligados ao soro. Eu fazia o espetáculo e depois decorria a palestra onde falava acerca do poder do

humor sobre a saúde física e emocional e dizia que eles poderiam aproveitar para recordar factos bonitos da vida que os fizessem rir, pois isso era COMER HUMOR!

Eu nunca me tinha apresentado para uma plateia assim.

Quando um espetáculo termina, as pessoas geralmente aplaudem. Ali, quando o primeiro espetáculo terminou, as palmas começaram, mas um homem que estava sentado numa cadeira de rodas na primeira fila e que tinha um grande curativo na zona do coração, porque tinha sido operado,

levantou-se imediatamente da cadeira de rodas, veio até junto de mim e abraçou-me, dizendo:

– Isto é melhor do que todos os remédios que estou a tomar.

Obrigado!

Aquele homem com a cicatriz no coração abraçado a mim modificou a minha maneira de ver a vida. Da mesma forma que ele se levantou da cadeira e veio abraçar-me, todos os pacientes o imitaram, quiseram vir cumprimentar-me, mesmo que tivessem de ser trazidos na cadeira de rodas por

uma enfermeira. Eu estava sem palavras. Compreendi profundamente o que é básico na vida. Se temos saúde física, a nossa vida está ótima. Podemos fazer tudo! E pensei em como às vezes damos importância a coisas que não têm nenhuma importância.

O que realmente importa é termos saúde física e, se possível, emocional também. Se temos isto, podemos pensar e reorientar os caminhos das nossas vidas.

Nos hospitais, via claramente o que significa doença física e doença da alma. Via pacientes que riam muito, outros que riam pouco. E, ao conversar com as enfermeiras e com os médicos, compreendia que não tinha a ver com a gravidade da doença. Havia pacientes que, logo depois da operação,

quando o risco de vida tinha já passado, riam-se pouco, outros que ainda iam ser operados no dia seguinte riam muito e outros que também já tinham sido operados riam muito.

Como fazia o espetáculo durante semanas consecutivas, havia pacientes que vieram assistir antes da operação, caminhando pelo seu próprio pé, e que depois voltaram para ver o espetáculo já numa cadeira de rodas. Um deles disse--me:

– Pensei em si durante a operação. O meu humor dá-me força para viver e agora gosto ainda mais de estar vivo, mesmo nesta cadeira de rodas, de onde sei que vou sair muito em breve! Eu quero viver e, cá entre nós, pretendo ter muito sexo. É que eu e a minha mulher temos uma vida

muito quente!

E eu ri-me às gargalhadas!

Aprendi algo muito interessante sobre o sexo com um médico do hospital. Quando os pacientes começam a rir nos hospitais, muitas vezes o riso é tímido e o corpo movimenta-se pouco. À medida que os risos vão aumentando, o corpo mexe-se mais. Quando o corpo se mexe junto com os risos, a energia de vida começa a ficar mais presente, eles começam a sentir-se mais vivos e a energia sexual, que é a própria energia de vida, volta. Então o humor dá-nos mais energia sexual, sendo que esta começa nos órgãos genitais e flui para o corpo inteiro. E é claro que quando andamos e

falamos a nossa energia sexual está presente. Então, quando os pacientes riem, a sexualidade volta.

Conheço mulheres e homens que dizem que uma das coisas que mais apreciam nos seus parceiros é a sua capacidade de os fazer rir. Há casais que me dizem que uma das maiores qualidades do casamento é conseguir rir até mesmo no quarto. Uma amiga minha que é psicanalista disse-me:

– O sexo também é suposto ser divertido. As pessoas esquecem-se que ter prazer tem a ver com alegria!

No espetáculo «Mário, teu Humor está no Armário», quando o homem stressado e mal-humorado vai procurar a sua mulher para contar o prazer que teve em descobrir o poder do humor, de repente ouve uma música, puxa-a para dançar no meio da rua, eles brincam e ele diz:

– E foi-me dando uma coisa, uma coisa! Acabámos lá em casa fazendo tudo. Sabe o que é fazer tudo? Deixei que ela pegasse no meu corpo como nunca tinha deixado antes, entrava por aqui, saía por ali, nos enroscávamos de tanto dar risadas. Nunca foi tão divertido e tão sensual.

Brincar com o corpo do parceiro é muito bom; não precisamos de falar, brincamos como crianças e nem por isso somos infantis, mas deixamos «as nossas crianças interiores » falarem. Conheço essoas que riem muito e são extremamente sensuais ao movimentarem os seus corpos. Como isto é saudável!

Casais que riem juntos têm uma probabilidade de ficar muito mais tempo juntos de forma saudável do que parceiros que não riem, estão de cara amarrada e não têm temas de conversa (e que mesmo assim permanecem juntos).

O hospital em São Paulo onde me apresentei está ligado a um serviço público, por isso entre os pacientes havia pessoas com posses e outras realmente pobres. Perguntam-me sempre

se as pessoas mais pobres se riem mais do que as pessoas que têm dinheiro. Para mim, não existe essa regra. Já vi pessoas pobres, no interior do Maranhão, no Brasil, a rirem-se muito e outras no mesmo sítio que se riam pouco, já vi diretores rindo muito e diretores rindo pouco.

E, para mim, o facto de as pessoas se rirem mais ou menos também não tem a ver com a classe social. Tem a ver com uma atitude da própria pessoa, da maneira como ela reagiu à sua história de vida. Se há algo que consigo, sim, perceber é a maneira como as pessoas são criadas. Se os pais criam os filhos com amor, mas esse amor está cheio de medos exagerados, se gritam, se são autoritários sem saberem exercer a autoridade e se criam uma série de culpas, será difícil que esse ser humano se ria com prazer. Se, pelo contrário, os pais criam os filhos com amor, com os devidos cuidados e

respeito, se tocam no corpo dos seus filhos com afeto, se sabem exercer a autoridade e se mostram aos filhos a alegria de viver, o resultado será crianças mais saudáveis e sorridentes.

Então, se criar um filho com um medo de viver exagerado isso irá refletir-se nele. E isto pode acontecer em qualquer classe social. Claro que haverá sempre exceções.

Cada vez mais percebo que a educação e formação de um indivíduo, quer em casa, quer na escola, são fundamentais. Se não lido bem com a minha vida, se estou sempre a reclamar, se me rio pouco, o que é que vou passar para o meu filho? «Ai, a vida está difícil, o governo não presta, a culpa

é do Presidente.» Claro que um governo saudável (é possível) colaborará para a realização e a manutenção da qualidade de vida das pessoas, mas, ainda assim, a sua vida é sua!

Contudo, há pessoas que colocam sempre a responsabilidade da sua infelicidade no parceiro, no trabalho ou no país; a culpa nunca é deles!

Recordo-me de ter apresentado no Rio de Janeiro um espetáculo para pacientes com sida e onde estavam também presentes alguns enfermeiros, médicos e o diretor do hospital.

Após a palestra, o diretor quis perguntar aos pacientes o que eles tinham realmente achado. E um deles disse:

– Tenho pena que a enfermeira do turno da manhã não tenha assistido. Era importante ela perceber a importância do humor na saúde e no trato connosco.

– Porquê? – perguntou o diretor.

– Ela está sempre de mau humor e seria agradável que ela nos tratasse bem. Ajudava, percebe, doutor? – explicou o rapaz.

O diretor respondeu:

– Vou tratar disso! Não sabia que ela era tão mal-humorada.

E todos se riram. No final, o diretor veio falar comigo:

– É incrível, isto era para ser só para os pacientes, mas está a levar-me a rever algumas das minhas posturas. Eu desconheço como os funcionários realmente tratam os pacientes, pois fico na minha sala, às vezes isolado, e vou sabendo de alguns conflitos, mas talvez precisasse deste espetáculo para

perceber que preciso de estar mais perto dos funcionários e dos pacientes. Penso que precisamos, todos, de ser mais humanos!

Às vezes pensamos que os médicos e enfermeiros são pessoas mais doces e sensíveis. E muitos são, mas também há muitos que não são. Eles são pessoas como quaisquer outras. E isto sem falar na luta pelo poder que há entre eles e que existe em muitas organizações.

Durante alguns anos trabalhei no sector de Educação Continuada, que é o nome que no Brasil se dá nos hospitais ao departamento de treino dos funcionários. Assim, apresentei o espetáculo para os médicos e enfermeiros. Em muitos hospitais o clima não era bom. De facto, alguns diretores de

hospitais dizem-me que há médicos muito arrogantes e vaidosos que se acham deuses – talvez por terem poder sobre a saúde da pessoa –, e que são pessoas com muita dificuldade para se relacionarem, seja com quem está abaixo deles hierarquicamente, como até mesmo com os pacientes. Mas para mim isto é uma doença humana, uma vez que vejo o mesmo comportamento em diversos líderes de muitas empresas.

Uma vez, um diretor de hospital disse-me:

– Precisamos que os médicos reaprendam a rir.

– Mas eles não sabem que isso contribui para a saúde deles?

– perguntei.

– Devem saber, mas também sabem que fumar pode provocar cancro e muitos fumam! (risos) Eles estão tensos, e é importante que fale com eles sobre aprenderem a ser mais flexíveis

e a trabalhar em equipa. O clima aqui não é dos melhores!

E o trabalho resultava muito bem, o que me possibilitou apresentar-me também em alguns congressos de saúde. Penso que foi por causa desta experiência no mundo hospitalar que criei

o personagem «Mário, o Médico», que pensa que sabe tudo e é muito vaidoso. Já o apresentei a muitos médicos que vibram com o personagem e dizem que é o seu preferido.

Também é maravilhoso apresentar esse trabalho para idosos, seja em universidades para a terceira idade ou nos centros de dia. Muitos idosos já não têm censura nem medo do ridículo

e o que querem mesmo é divertir-se. Há outros que se riem, mas ainda não conseguem divertir-se a valer.

Em Roma existem vários centros de dia que são financiados pelo governo e eu apresentei o espetáculo num deles. Foi maravilhoso! A meio do espetáculo, uma senhora queria ir à

casa de banho mas, para ir, teria de passar pelo meio do palco.

Ela levantou-se e perguntou:

– Posso ir à casa de banho?

Começaram todos a rir, eu parei o espetáculo, acompanhei-a até à casa de banho, que ficava no canto da sala onde o

espetáculo decorria, e disse:

– Pode ir à vontade que eu e todos nós aqui ficaremos à sua espera! O Cleyton também esperará por si!

E uma outra senhora também perguntou:

– Posso ir também?

– Também vamos esperar por si!

Então, ela perguntou para o companheiro:

– Vicenzo, não queres ir também? Às vezes não aguentas muito tempo sem urinar!

Vicenzo não quis ir. Posso dizer que me diverti muito!

Já na palestra uma delas disse:

– Já tivemos tantas dores na vida, e, se ainda estamos vivos, é para aproveitarmos!

Uma outra disse:

– Toda a gente aqui presente sabe como eu tenho andado triste. Venho para aqui para sentir mais vida. Perdi o meu filho há sete meses e hoje foi o primeiro dia em que consegui rir de verdade. E com estas suas palavras você não sabe o bem que me fez, meu filho!

A minha mãe faleceu numa sexta-feira em fevereiro de 1999 e no dia seguinte foi o enterro. Eu já apresentava o «Mário,teu Humor está no Armário» há um ano. No domingo, apanhei um avião com o meu pai e fomos da cidade do Rio de Janeiro para Vitória, no estado do Espírito Santo, onde iria

apresentar o espetáculo para 500 pessoas entre alunos, professores e diretores de uma universidade, na abertura do ano letivo. Faria as pessoas rirem-se e falaria da importância do bom humor perante as dificuldades. E agradeço à vida por me ter dado essa oportunidade, pois foi a melhor coisa que

fiz. Podemos realmente rir nos momentos delicados e difíceis, e estes podem tornar-se menos difíceis e até cheios de ternura. Naquela noite, ao ouvir as gargalhadas, estava a dar algo para as pessoas e elas estavam a devolver-me. Somente o reitor sabia o que tinha acontecido porque avisara que levaria o meu pai comigo. Do palco, via o meu pai a rir-se na plateia e era bonito estarmos juntos ali, com ela nos nossos corações. Adorei ser o agente que estava a dar um motivo para as pessoas se rirem. Poderíamos ter escolhido ter uma postura mais dramática, mais sofrida. Mas o drama já tinha

existido. Assim como celebramos a vida no momento presente, podemos celebrar o momento em que as pessoas partem.

Isto é vida também. Naquela noite, o meu espetáculo foi ovacionado e foi uma homenagem à minha mãe! Tive um encontro fundamental na minha vida com o meu terapeuta, Dr. Rafael Eduardo Vergara, cujo trabalho nos ensina a rirmos das nossas emoções. O teatro já me tinha ensinado como o humor é um dos elementos mais sérios que há, mas foi o Rafael quem me ensinou a rir-me das

minhas dores. Quando rimos delas, elas vão-se embora; o riso é realmente terapêutico. Uma coisa é falarmos sobre algo triste e deixarmo-nos levar pela tristeza ou sofrimento.

O que é interessante no sofrimento, aquilo que nos faz crescer, não é o sofrimento propriamente dito, mas a maneira como o vemos e trabalhamos com ele. Há pessoas que sofrem e não crescem! Quando falamos sobre algo triste, podemos ver-nos de fora e pensar sobre a situação, e isto

faz-nos rir das situações, porque na vida há sempre uma possibilidade de humor, ele é um dom do ser humano. Rir dos nossos sofrimentos e das nossas dores é altamente curativo.

Gosto particularmente quando, depois de descobrir o prazer de rir e de perceber que, ao alimentar-se de humor, podia ver a realidade de outra forma, o personagem mal-humorado do espetáculo «Mário, teu Humor está no Armário », vira-se para o público e diz:

– Sabem que é muito bom podermos divertir-nos com a nossa própria história? Querem tentar? Contem as vossas vidas para vocês próprios, como se fossem um conto.

E é exatamente isto, quando contamos os factos da nossa vida para nós próprios, o humor vem.

Uma mulher em Angola, no momento em que estávamos na palestra, interveio e fez-me um pedido:

– Às vezes, eu e o meu marido discutimos. Na altura da discussão não é agradável, mas depois quando eu falo sobre a situação começo a rir do quão absurdas são as nossas discussões.

Contar a nossa vida para nós próprios está relacionado com isto? Poderia aprofundar este assunto?

Eu achei incrível, pois foi a primeira vez em 11 anos que me colocaram esta pergunta. Respondi-lhe então que a observação e a intuição dela eram perfeitas e falei sobre como poderíamos rir das nossas dores.

A melhor maneira de o praticar é:

Fale de si como se fosse uma terceira pessoa! Verá e descobrirá coisas surpreendentes nos acontecimentos que viveu e poderá rir de coisas tristes. E, assim, curará as suas possíveis dores!

Podemos aprender muitas coisas sem sofrer: aprendemos com amigos através de boas conversas onde trocamos informações construtivas ou com um bom livro que nos ensina novas posturas diante da vida. O caminho da aprendizagem não está necessariamente ligado ao sofrimento,

mas à própria alegria de querermos aprender. O entusiasmo que podemos ter diante de um professor na universidade ou de um filme ou de uma peça leva-nos a caminhos surpreendentemente

positivos. Lembro-me de já ter aprendido tantas coisas em filmes e peças de teatro que me ajudaram a ampliar a minha consciência e a mudar as minhas atitudes.

A vida pode ser mais agradável. É importante aprendermos o valor da alegria no dia-a-dia. A sociedade não nos ensina isto. Durante anos, Hollywood alimentou-nos de grandes dramas, e depois vieram as telenovelas. É curioso porque muitas pessoas no mundo inteiro as veem. Percebem que

no primeiro episódio a protagonista está feliz, no segundo infeliz, e depois passa a novela a chorar, para no último episódio encontrar a felicidade e sorrir. No dia seguinte, começa outra telenovela, com a protagonista feliz até começar a sua infelicidade. Ou seja, durante todo este tempo o alimento que é passado é o drama e como é bonito sofrer.

Não nos ensinam o prazer de viver.

Tenho apresentado o meu trabalho para pais que têm filhos autistas e pais cujos filhos têm paralisia cerebral. Obviamente não vivem uma situação fácil, mas quando assistem ao meu espetáculo ficam muito sensibilizados. Lembram-se de que têm uma vida e que se esta vida for vivida com mais

prazer e amor-próprio poderão dar mais coisas positivas aos seus filhos. Vêm falar comigo no final, mais felizes por sentirem mais força de viver. Esta força vem através do reconhecimento

de um amor-próprio, pois «estou vivo hoje e estou alegre por isso!». Creio que, se TODOS os pais tivessem mais alegria de viver, passariam mais força para os seus filhos poderem lidar com as adversidades da vida. E as crianças sentem. Podem ter autismo ou paralisia cerebral, mas sentem

algo; faz parte da própria energia humana. A alegria aliada à autoestima, ou melhor, a alegria aliada ao amor são elementos que contagiam qualquer pessoa.

A conexão HUMOR-AMOR é uma das mais poderosas que conheço.

Estão juntos. O humor, o prazer de rir e de estar vivo, faz-nos gostar mais de nós próprios, do outro e da vida. Isto é AMOR. Amar é também um trabalho diário. Não adianta apenas amar; o amor cresce quando o refinamos, e, para isso acontecer, a curiosidade e a vontade de aprender com alegria são condições básicas. Se temos amor pela nossa existência e pelo nosso corpo, vamos tratá-lo melhor,

e consequentemente trataremos melhor a nossa casa, o nosso trabalho e o nosso planeta. E esse caminho onde todos podem aprender com todos é infinito e pode ser muito divertido.

Há ainda muito para crescer e aprender para nos tornarmos seres humanos melhores. Mas uma das poucas coisas que sei – até porque sou muito burrinho, afinal, já passei dos 40 anos e descobri que era mais burro ainda –, é que o caminho do humor ligado ao amor não acaba nunca.

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